Projeto Carbono Suruí

Olá! Meu nome é Beto Borges, sou brasileiro e moro na Califórnia desde 1984. A minha juventude foi inspirada pelas escaladas e caminhadas que fiz na floresta Atlântica Brasileira e pelas estórias que meu avô contava sobre a vida no início do século XX no cerrado de Minas Gerais. Foi essa apreciação pela natureza que me trouxe aos Estados Unidos no início da década de 80, para fazer escaladas e caminhadas em parques nacionais, o que acabou me levando ao cume do Monte McKinley, no Alasca, e a estudar conservação de recursos naturais com concentração em desenvolvimento comunitário na Universidade da Califórnia, Berkeley. Com o decorrer dos anos, trabalhei em vários projetos com várias organizações, focando meu trabalho, na maior parte, na floresta amazônica brasileira.  Atualmente, sou diretor do Programa Comunidades e Mercados da organização Forest Trends. Nosso trabalho é estabelecer relações entre comunidades  e os novos mercados ambientais de carbono, água, e biodiversidade, entre outros, com o objetivo de promover a conservação da biodiversidade e benefícios para comunidades locais.

caption: Betto Borges visiting a Surui village

Beto visitando aldeia Suruí

Tenho o privilégio de conhecer Almir Suruí e de trabalhar com ele desde 1992 aproximadamente, desde sua participação no Centro de Pesquisa Indígena. Dois anos atrás, Almir e eu começamos a conversar sobre o trabalho do povo Suruí com o reflorestamento de suas terras, um território de 248 mil hectares de floresta amazônica no estado de Rondônia, que sofreu sério desmatamento por madeireiras e pecuaristas. Eu apresentei a idéia de tentar conseguir apoio para o trabalho de reflorestamento através do financiamento de carbono, e assim foi iniciado o Projeto Carbono Suruí.

Desde então, sob liderança de Almir, o povo Suruí, através de seu órgão representativo – Associação Metareilá – e em parceria com ACT-Brasil, Kanindé, Forest Trends, IDESAM e, mais recentemente, a FUNBIO, começou a desenvolver um projeto REDD+ pioneiro de conservação de suas florestas. O projeto foi iniciado com enfoque no sequestro de carbono por meio do reflorestamento, e evoluiu, estabelecendo seu foco atual como REDD, isto é, redução das emissões do desmatamento e degradação da floresta. A finalidade deste processo é servir como modelo de boas práticas para a participação de povos indígenas no REDD;  incluiu um extenso processo de consulta, planejamento e treinamento da comunidade, avaliação técnica e desenvolvimento de uma linha de base para contabilidade do carbono, e análises de marcos legais dos direitos dos povos indígenas e carbono florestal.

O povo Suruí hoje estão bem informados e têm condições de iniciar negociações justas com investidores para completar as etapas restantes para o financiamento e implantação do projeto.  O consenso da equipe técnica do projeto é que existe uma probabilidade muito grande de o projeto entregar pelo menos 300 mil toneladas de CO2 até o final de 2012 e aproximadamente 2 milhões de toneladas até 2020, o que representa uma contribuição significativa em termos de mitigação da mudança climática através da redução de emissões, pelo impedimento da degradação da floresta e do desmatamento (REDD). Porém, ainda mais importante do que a contribuição direta do projeto à mudança climática é o fato de que o projeto Carbono Suruí servirá como ponte para o financiamento e implementação do plano de desenvolvimento de 50 anos do povo Suruí, um plano de ação autônomo, desenvolvido pelos próprios Suruí, para melhorar o sistema de governança territorial e o bem estar de suas comunidades.

Para obter mais informações, deixe seu comentário ou pergunta abaixo ou contate-me por e-mail:  bborges@forest-trends.org

Forest and river by the Surui village

Suruí usando arco e flecha tradicional

Forest and river by the Surui village

Floresta na aldeia Suruí

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    5 Responses to “Projeto Carbono Suruí”

    1. luciana disse:

      eu gostaria de saber mais sobre o projeto de sequestro de carbono´pois e muito interessante e muito importante para nos povo da amazonia.

    2. bing disse:

      Thank you for this blog. Thats all I can say. You most definitely have made this blog into something thats eye opening and important.

    3. [...] Surui Carbon Project – updating Google Earth with climate and environmental data with the help of the local Surui tribe in S. America. The native groups become the “carbon monitors” and are empowered to document and track environmental issues and illegal deforestation. [...]

    4. I hope folks will actually do something with this information. Information like this is potentially so powerful, it makes me sad when folks do not use it to make a difference.

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